Ética e sustentabilidade são as novas ferramentas para se produzir moda no Brasil e no Mundo

Ética e sustentabilidade são as novas ferramentas para se produzir moda no Brasil e no Mundo

Estilistas e marcas criam produções sem desperdício para se adaptar a um novo paradigma


Você sabe como foi produzida a roupa que você está no seu corpo agora? Ela é feita de quais tecidos? Eles são biodegradáveis? Os direitos das pessoas que trabalharam na fabricação foram respeitados? Nem sempre é possível responder a essas perguntas. Na indústria em massa da moda, que busca produzir o maior número de peças e estimular o consumo exagerado, essas informações não chegam ao consumidor. Porém, existem vários movimentos e iniciativas que buscam criar uma moda mais ética e sustentável.

Esse é um dos temas mais discutidos na indústria da moda, que busca alternativas. Movimentos como o slow fashion, que foca em criar peças de qualidade, sustentáveis e sem consumo excessivo, e o fashion revolution, que busca transparência no processo de produção e condições justas para todos os trabalhadores abordam a pauta e hoje são tratados dentro dos cursos de formação, como no curso de Design de Moda do Centro Universitário IESB.

"Existe agora um paradoxo a se resolver", afirma Clarice Carvalho Garcia, a coordenadora do curso. "A moda é movida pelo consumo e ela também é, por definição, mudança. A gente tem visto que a indústria precisa ser repensada, e entendemos que não há ainda uma resposta sobre como fazer isso", continua a professora.
Segundo Clarice, não é mais possível continuar a produzir artigos de moda sem a preocupação com os recursos utilizados e as pessoas envolvidas. A indústria de massa vai perder espaço e o consumo vai diminuir.

Por isso, é preciso explorar novos caminhos, como fez Sávio Drew. O estilista, formado em 2017 pelo curso de Design de Moda do IESB, usou suas experiências pessoais para criar uma marca, a Drew, que produz seus artigos com transparência no processo de criação e sem desperdício.
"Eu vim de uma vila no interior do Piauí, e lá se tem um respeito muito maior pela a natureza", disse Sávio. "Quando eu vim para a cidade, eu me assustei muito com esse processo industrial. Eu quis criar uma marca mais humana, com produtos feitos à mão, e mostrar os nossos processos. A ideia veio também de uma viagem que eu fiz para São Paulo. Eu vi uma pilha de tecidos, perguntei o que era aquilo, e me falaram que eram tecidos que seriam descartados."

A Drew segue o princípio de upcycling, que pega materiais que seriam descartados e os transforma em novos produtos. No caso da marca, ela cria suas roupas com os tecidos que são descartados pelas indústrias, por estarem com algum defeito ou uma mancha. Isso não é problema para Sávio, que incorpora essas manchas no design de suas peças.
"A preocupação é gastar o menos possível na produção e não gerar desperdício", disse o estilista. "Estamos trazendo uma nova coleção agora que aproveita 100% do tecido. Nós desenhamos a roupa em cima dele. Trazemos também as questões socioculturais, temas do Norte e do Nordeste. O Brasil é muito rico e devemos protege-lo", continua.

Para Clarice, essa busca pelo sustentável faz parte de um movimento muito maior. "Quando vemos a sustentabilidade sendo buscada em vários setores, a moda também entra nesse pensamento. É algo que não dá mais para ignorar. Precisamos ver a sustentabilidade como um novo paradigma e não mais como uma opção", disse a coordenadora.



Texto: assessoria de imprensa