Os diferenciais das "neoempresas"


"Os líderes empresariais precisam sepultar o modelo de gestão do século passado e fazer seu dever de casa, valorizando o intangível"


"Os empresários precisam fazer seu dever de casa e entender que o maior concorrente está dentro da empresa: falta de rumo claro, escassez de líderes, estrutura inadequada, visão fragmentada, baixa inovação, falta de integração entre departamentos, baixo foco nos clientes, incapacidade de colaborar com parceiros, gestão de pessoas ultrapassada e governança engessada, que afugenta os jovens talentosos e tira a agilidade de resposta e a flexibilidade das decisões. Precisam entender que governo não é UTI para empreendimentos mal concebidos e mal gerenciados. Precisam, enfim, empreender e empresariar, em vez e não apenas se lamuriar e ficar pedindo subsídios", recomenda César Souza.

"O ranking das Melhores e Maiores Empresas do Brasil nos últimos 40 anos mostra que vários vencedores do passado naufragaram sob o peso das mesmas estratégias que os fizeram ter sucesso. Outros foram salvos em operações promovidas pelo governo ou por fusões e aquisições. Beneficiadas por décadas de protecionismo, muitas empresas nacionais não conseguiram se manter de pé quando o mercado se abriu. Foram impactadas, também, por inúmeras mudanças nas regras do jogo econômico, pela revolução tecnológica e pelos absurdos custos fiscais, trabalhistas, financeiros e logísticos de operar no Brasil. Alguns líderes responderam rapidamente às mudanças, mas repetindo velhas fórmulas que já não servem mais", avalia César Souza.

O consultor reforça a urgência de uma nova mentalidade de gestão: "A sociedade de serviços já não se contenta apenas com um produto tangível, capaz de atender suas necessidades. Exige um pacote de conveniências intangíveis, que ultrapassam o bem físico. E a sociedade do conhecimento alterou a forma como as pessoas trabalham: não são mais a 'mão de obra', mas talentos que exigem, cada vez mais, a condição de parceiros no negócio. Neste ambiente volátil, as neoempresas criam vantagens competitivas temporárias. Daí a necessidade de reinventá-las, não apenas em épocas de crise, mas de forma contínua".

Souza lista os "sintomas" das empresas que precisam se transformar: insatisfação dos clientes com a baixa qualidade do atendimento; dos empregados, que não conseguem desenvolver seu potencial nem se interessam pelos tradicionais planos de carreira; das lideranças, pelas estratégias que não funcionam; dos parceiros e sócios desconfiados na hora de negociar; dos acionistas apreensivos pelos riscos que não conseguem prever nem controlar; e das comunidades, pelo impacto das empresas no meio ambiente e no seu dia a dia.

"A crença de que 'clientes compram produtos e serviços' é uma das ideias que precisam ser sepultadas. Clientes compram a realização de sonhos, o benefício do uso do produto ou serviço e não apenas o produto em si. Agora, as competências diferenciadoras são a imagem do produto, a cultura da empresa, a paixão das pessoas e dos clientes, o respeito da sociedade e a reputação junto a fornecedores críticos. Essas são mais difíceis de imitar do que o produto e, por isso, têm valor estratégico para a empresa", aponta o consultor.

1. Valoriza o intangível - Estimula uma cultura própria e um clima de confiança e inovação.
2. Funciona como "hub" – A competição não se dará somente entre empresas nem apenas entre produtos, mas agregando partes interessadas – investidores, fornecedores, parceiros, formadores de opinião, etc.
3. Pratica a "clientividade" - Em vez de apenas buscar o seu próprio crescimento, luta pelo progresso dos clientes.
4. Estrutura-se de forma horizontal, flexível, com centros de resultados e em negócios – Novo modelo de governança mais sadio, que agiliza o processo decisório e atrai os talentos inquietos das novas gerações.
5. Cultiva a paixão - Não se limita a ações pontuais motivadoras e não manipula as emoções das pessoas.
6. Integra de forma sistêmica - Os modelos de negócios, de gestão e organizacional deixam de ser uma "colcha de retalhos".
7. Atrai e desenvolve líderes inspiradores - que investem na formação de outros líderes.
8. Customiza a gestão das pessoas - Respeita individualidades e oferece inspiração para suas vidas.
9. Reinventa-se continuamente - Incentivando o clima de inovação e incorporando clientes e parceiros na busca de soluções.
10. Incorpora a sustentabilidade ao modelo de negócio - Identifica o fator crítico a ser priorizado para cada um de seus públicos.
11. Constrói um "mapa de geração de valor"- Resultante do significado percebido pelas entidades que fazem parte do seu modelo de negócios.

Fonte: Administradores