Guia prático para elaboração de um "planejamento" de vida

E, já que a Páscoa é um período de "Renovação" e "Recomeço", que tal ler esse texto para nos inspirar diariamente?


Muitas pessoas atribuem a impossibilidade de planejar a vida em função das mudanças que ocorrem no mundo que nos cerca, mas de fato, a dificuldade reside em identificar, internamente, o rumo que se deseja seguir.

Tenho que concordar que é bastante difícil buscar as motivações, inspirações, paixões, identificar valores essenciais, desejos, que não sejam aqueles de consumo, com os quais somos bombardeados diariamente, desde muito pequenos.

Penso que nem esses, os desejos de consumo, sejam fáceis de identificar e escolher em face da diversidade de tudo que se tem à disposição.

Algumas perguntas que costumo fazer estão justamente relacionadas à dimensão do indivíduo. É necessário voltar-se para a própria história, olhar para seu espelho e perguntar: 
                    Quem sou eu? 
                         O que estou fazendo com a minha vida, a cada dia? 
                         Qual é o significado do que eu faço? 
                         Das minhas escolhas?

Faz-se escolhas diariamente, tendo consciência delas ou não. Deixar de escolher também é uma escolha, mas também é deixar-se levar. Questionar, duvidar, perguntar a si próprio o porque das escolhas é bastante útil e revelador. Quanto mais conscientes forem as opções mais fácil será posicionar-se diante da vida, diante de você mesmo. Mas o que realmente importa é saber quais são as suas escolhas.

Quais são os critérios que você utiliza para escolher suas amizades, seus estudos, sua profissão, o curso que você faz, a roupa que você usa, a viagem que você quer fazer, seu companheiro ou companheira? 
O que mantém um relacionamento sem graça, um trabalho sem desafio? 
O que motiva você levantar a cada manhã?

Quando tudo ao redor parece sem sentido, há que se perguntar se internamente a bússola está funcionando. Qual é o seu norte? Para onde você está caminhando? Ou está simplesmente sendo levado pela massacrante rotina do dia-a dia? Escolhendo a escolha do outro, por falta de uma própria?

Alguém já lhe disse que você é responsável por escrever grande parte da sua história? 
Que você está no comando da sua vida? 
Que você pode e deve ser responsável por fazer alguma diferença neste mundo, por menor que pareça?

Não estou dizendo aqui de atos heróicos ou de obras faraônicas, estou dizendo de fazer alguma diferença para si próprio e no seu pequeno universo. Para o seu amor próprio, para seu bem-estar, para sua qualidade de vida, para melhorar o ambiente em que você está inserido, na sua casa, com seus familiares, filhos, amigos, no trabalho, na comunidade. Alguma coisa da qual você se orgulhe.

O que costuma ser reconfortante é desenvolver a capacidade de olhar para frente, mas em longo prazo, e não apenas para o dia seguinte. Se comprometer com a sua visão, com os seus propósitos. Essa é a segunda parte complicada.

COMPROMETIMENTO e PERSISTÊNCIA, e veja, não é com mais ninguém, é apenas com você mesmo. Quando as dificuldades começam, a frustração torna-se tão intensa e insuportável que parece mais fácil abandonar o antigo e “comprar” outro sonho não de vida, mas de consumo, mais fácil do que refazer a estratégia para alcançar o plano inicial.

Por essas razões os planejamentos tendem a ser difíceis de fazer e executar. Mas sem saber lidar com essas situações corre-se o sério risco de viver um sonho que não é o seu, realizar os desejos de outros de se perceber numa rotina que não queria e apesar de tantas realizações sentir um vazio enorme dentro de si.
Os caminhos para evitar ou pelo menos minimizar que esse tipo de situação continue a se repetir são o autoconhecimento, a reflexão, tempo dedicado a olhar para dentro de si e não apenas para fora. Perceber e tomar consciência dos seus medos mais secretos, dos seus desejos, mais infantis, aqueles guardados numa caixinha, bem escondida, que você nem sabe direito onde guardou a chave.

Fonte:
Adriana Gomes 
Mestre em Psicologia