De olho na Semana de Moda de Fortaleza: Dragão Fashion Week

O Dragão Fashion, maior semana de moda da região Nordeste, termina hoje em Fortaleza. O evento custou R$ 1,5 milhão e apresentou 28 desfiles, além de uma extensa agenda de workshops e palestras com diversos profissionais do mercado.

O fotógrafo J.R. Duran e a estilista Thaís Losso estavam entre os palestrantes. O Dragão também dedicou espaço a pesquisas acadêmicas, como a apresentada pelo professor do curso Design de Moda, da Escola de Belas Artes da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Tarcisio D'Almeida, sobre jornalismo de moda, e também a questões de mercado e gestão de empresas.

Entre grifes e ações, aqui estão dez razões-chave para explicar por que a semana cearense começa a despontar como uma das mais promissoras do país:


1. Assim como ocorre no Rio e em São Paulo, o evento abriga criadores de outras regiões, o que contribui para que ele se transforme em mais um pólo difusor de moda no Brasil, com foco no Norte e Nordeste;

2. Lindebergue Fernandes: o estilista é uma celebridade regional e conquistou essa fama graças a uma mistura muito bem-sucedida de elementos pop e apresentações performáticas. Nesta edição fez uma coleção feminina e masculina inspirada no universo das donas de casa, pensando na cozinha, na novela e na missa. Na trilha, falas de vilãs globais como Maria de Fátima, de "Vale Tudo", e Perpétua, de "Tieta";

3. O Dragão convocou o estilista Jum Nakao para criar uma coleção durante o evento, num esquema reality show. O trabalho pôde ser acompanhado por todos os visitantes, ao vivo, e o resultado final são peças esculturais e delicadíssimas, que lembram os tempos áureos de Jum e sua icônica coleção de papel;

4. Clair: a grife de origem mineira impressionou com sua técnica de crochê e macacramê em silhuetas muito modernas e peças bem-acabadas. Fique de olho;

5. O evento convidou duas grifes italianas, Leitmotiv e Chicca Lualdi, na tentativa de iniciar um intercâmbio internacional;

6. Mar Del Castro: muito apreciada pela juventude local, a moda praia da grife mistura elementos artesanais e pegada sexy;

7. Apesar de não contar com uma feira de negócios e showrooms, o que pode e deve ser pensado pela organização, o evento já teve sucesso no quesito formação de público. Num só dia, chegou a receber cerca de 45 mil visitantes;

8. Kallil Nepomuceno mostrou uma coleção de moda festa muito competente e foi aplaudido de pé. Curtos modernosos e longos etéreos, bem ao gosto das brasileiras;

9. O projeto Kza do Dragão reúne a criação de cooperativas da região, com curadoria de estilo. Foi montada dentro do evento uma loja para vender as peças produzidas pelas artesãs e designers participantes. Longe de mais uma lojinha típica, o que se encontra nas prateleiras são peças modernas e desejáveis feitas com técnicas centenárias;

10. A moda "mulher-fina" da Doiselles conquistou as fashionistas locais com um repertório casual-chic com detalhes artesanais. A grife tem um projeto paralelo de moda envolvendo detentas da região.

É claro que nem tudo são flores. O Dragão ainda precisa resolver questões de logística (atrasos,marcação de lugares etc) e algumas grifes precisam se "encontrar".

O evento cresceu e apareceu. Como consequência do novo status (esta edição foi acompanhada inclusive por um número considerável de jornalistas vindos da Europa e da América do Sul), vem a responsabilidade de fazer com que o produto mostrado também tenha um ganho de qualidade.
Clair

Kallil Nepomuceno


Doiselles


Mar Del Castro
Eu amei as tendências lançadas, principalmente o desfile da Mar Del Castro e todas as peças da Clair. Sucesso total!!

Fonte das informações: Jornal Floripa