Empresas motivam funcionários a explorar novas possibilidades e ganham em inovação e novos produtos.

O cumprimento de metas e a organização do trabalho por meio de tarefas estão presentes atualmente em quase toda a economia. Porém, existem companhias que querem de seus funcionários mais do que a execução de funções designadas – querem que eles pensem à frente.

Para essas empresas, o intraempreendedorismo é um conceito presente no cotidiano. Ele reflete em motivação para que os funcionários pensem e argumentem a respeito de novas possibilidades, bem como avalia positivamente e recompensa àqueles que assumem uma postura criativa.

O termo “intrapreneur” teria sido primeiramente utilizado pelos consultores canadenses Gifford e Elizabeth Pinchot, em 1978, para designar os executivos que, nas empresas, assumiam o papel de agentes de mudanças e promotores da criatividade e inovação.

Lucrando com boas ideias

O conceito ganhou força há cerca de 20 anos, mas empresas já utilizavam métodos para acolher e aprimorar invenções e boas ideias de funcionários, com o objetivo de  impulsionar o desenvolvimento de produtos e  métodos de gestão.

Um exemplo de postura intraempreendedora é a *3M, empresa que abraça a filosofia e incentiva seus colaboradores a despender 15% de seu horário de trabalho na dedicação a projetos pessoais, os quais eventualmente culminam em novos produtos ou técnicas que passam a ser desenvolvidos pela empresa. A empresa afirma adotar tal política desde a década de 1940.

“Isso foi institucionalizado pela empresa há quase 70 anos, mas faz parte da cultura da companhia desde a invenção da fita crepe”, conta Luiz Eduardo Serafim, gerente de marketing corporativo da 3M do Brasil. 

A história da fita crepe, para Serafim, é um bom exemplo de como nasceu na empresa a ideia de cultivar em seus colaboradores o desejo de fazer diferente. A fita crepe foi inventada em 1923, quando um funcionário do laboratório do grupo foi escalado para ajudar a melhorar a produção de lixas da companhia. Avaliando os processos, o funcionário acabou pensando na possibilidade de produzir fitas adesivas. “Até então a empresa, que nasceu em 1902, só produzia lixas”, conta o executivo.

Autonomia e respeito às ideias

Serafim explica que não existe uma ciência exata para definir as características de um profissional potencialmente empreendedor. “Tentamos identificar esse perfil pelas dinâmicas impostas no processo de seleção, procurando no candidato características como visão de crescimento, facilidade em questionar as coisas e gosto por pensar de maneira diferente”, explica ele.

Alguns setores da empresa acabam atraindo profissionais empreendedores com maior facilidade, como é o caso dos departamentos comercial e de marketing, além de setores de caráter mais técnico. “Já setores mais operacionais e burocráticos acabam priorizando outras características na hora de escolher seus profissionais”, diz Serafim. 

De acordo com o executivo, incentivar seus funcionários a delegar tarefas e encorajá-los a ter ideias ouvindo-as e avaliando sua pertinência é o que mantém o time sempre pronto para inovar. “Aqui na 3M as pessoas são motivadas a não se acomodarem em suas posições na corporação e pensarem além de seus cargos”, afirma.

O executivo não detalha, mas garante que as boas ideias são recompensadas e compartilhadas internamente. De acordo com Serafim, o reconhecimento de iniciativas inovadoras é, no final das contas, um grande diferencial do grupo, que remonta aos primórdios de sua fundação, na primeira metade do século XX.


Fonte: Capturado em 22/11/2011 às 06:08 AM,  diretamente do Portal HSM - 31/10/2011.